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Nem só de gatos fofos vive a internet

Acho incrível como animais potencialmente odiosos ficam bem em fotografias. Tipo gatos. A cada 5 blogs que vc entra, pelo menos um tem um ensaio fotográfico de gatinhos fofos, engraçadinhos, redondinhos, sapecas e até mesmo os mais feios do mundo. Todos, incluindo os horríveis, são capazes de arrancar aquele “ooowwwnn”, aquele som característico de mulheres (e/ou homens) que acabaram de se convencer de que eles são uma companhia melhor do que qualquer outro ser de 4 (ou 2) patas.

Mas pra que gatos quando vc pode descer um degrau da cadeia alimentar e adorar ratinhos fofinhos que, novamente, te convencem de que não há nada melhor pra se ter ao seu lado?

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As fotos foram tiradas pela Jessica Florence.

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Ah, a Lomografia…

“Pare de pensar e comece a sentir”, já dizia um tal de Felipe Siqueira. Não sei de onde surgiu tal frase de efeito, só sei que funciona pra mim. Preguiçooona de fazer as coisas só porque é “certo”.  Quem é que disse que eu tenho que usar salto na balada ao invés de chinelo? Quem é que disse que eu preciso gostar mais de champagne do que de Chalise? Me diz quem é que disse, que eu tenho perceber o mundo segundo as estéticas ditadas e divulgadas pela mídia? A gente não tem, né? E sou totalmente a favor desses movimentos de libertação das amarras do convencional.

A Lomografia faz mais ou menos isso. Prega uma forma totalmente livre de fotografia, cujo objetivo passa longe de retratar o mundo com perfeição, pelo contrário, é o desprendimento do compromisso em retratar uma “realidade”, é a descoberta do instinto do olhar. É uma prática cheia de defeitos, efeitos, cores, vibrações e possibilidades.  Em 1991, dois jovens austríacos descobriram essa coisa toda ao revelarem as fotos de suas férias em Praga, fotografadas livremente por uma câmera LC-A, comprada em um antiquário ao perceberem que estavam sem suas câmeras convencionais.

O resultado das fotos foi fascinante e bastante contagioso. Logo, outros jovens buscavam esse tipo de câmera para fotografar e obter os mesmos efeitos. Foi criada então a Sociedade Lomográfica, expandindo esse novo movimento para outras áreas do planeta. Mas o que é que essa câmera tem que as outras não têm? Bom, a LC-A surgiu em plena Guerra Fria, em 1982. Na URSS, o General Petrowitsch Kornitzky pediu que a empresa LOMO produzisse maciçamente máquinas fotográficas, pequenas, baratas e fáceis de usar, assim todas as famílias poderiam documentar e mostrar para todos a felicidade que era viver nesse sistema “democrático”. A mágica da câmera está em características como a lente de plástico Minitar, que adiciona brilho às cores e proporciona vários efeitos.

A Sociedade Lomográfica Internacional, com a ajuda da internet, passou a pulverizar ainda mais esta nova “técnica”, sob o slogan “Não pense, apenas fotografe”. Também foi responsável pelo advento das 10 regras da lomografia. Elas são o coração desse movimento e servem justamente para livrar as pessoas de todas as outras regras e idéias pré-concebidas sobre fotografia. A idéia é se libertar e se divertir fotografando, sem inibições. As regras são essas:

1 – Leve sua Lomo sempre com você.
2 – Use quando quiser – dia ou noite.
3 – A Lomografia não interfere na sua vida, faz parte dela.
4 – Fotografe sem olha no visor.
5 – Aproxime-se o máximo possível do objeto lomográfico desejado.
6 – Não pense.
7 – Seja rápido.
8 – Você não precisa saber antecipadamente o que fotografou.
9 – Nem depois.
10 – Não se preocupe com as regras.

Como não podia deixar de ser, hoje esse movimento possui incontáveis membros, abrangendo pessoas comuns, sem noção de técnica de fotografia, até famosos artistas e fotógrafos. A Sociedade Lomográfica também é responsável por promover exposições, festas, passeios e workshops, afirmando ainda mais a lomografia como um criativo movimento cultural.

LomoWall

Recentemente vi uma exposição de fotos tiradas por deficientes visuais. Impressionantemente, as imagens tinham um conteúdo muito interessante. Elas eram muito mais carregadas de sentimentos do que de estética, e era isso que as tornava realmente interessantes, belas e bastante especiais, assim como as fotos lomográficas. Fiquei pensando se a Sociedade Lomográfica não poderia ir ainda mais além e fazer um trabalho social, com exposições baseadas em fotografias tiradas por cegos, afinal, eles traduzem algumas das principais idéias da Lomografia. É a fotografia tirada sem olhar, sem pensar, sem saber antecipadamente o que vai ser retratado e nem posteriormente, sem regras, que quebra os paradigmas da fotografia e ainda prega o instinto do olhar e um compromisso maior com a sensação do que com a “realidade”.

Foto tirada por Evgen Bavcar para a exposição Sight Unseen, com fotografias tiradas por cegos.

Joguei a idéia! Mas realizando ou não algo do tipo, a lomografia tem todo o meu respeito e admiração! Logo menos passo a fotografar com alguma dessas câmeras sensacionais.

Para quem quiser saber mais, é só jogar no Google. Tem milhões de sites e comunidades focados na lomografia. Alguns são esses:

http://www.lomography.com.br/

http://www.flickr.com/photos/lomographicsocietyinternational

http://www.facebook.com/Lomography