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Todas as cores do mundo: Shaka e Nosbé

Eu posso me vestir basicamente de tons pastéis (o que está mudando, graças a meu time de palpitadores conscientes), mas eu sempre A-DO-REI coisas mega coloridas. Recentemente conheci o trabalho do Shaka, um grafiteiro francês que traz as cores como prioridade na sua arte, é simplesmente fantástico.

Shaka grafita muros legais e ilegais, além de pintar telas. A sua arte possui referências da caricatura, do impressionismo, expressionismo e do pop art. Grande parte dos seus grafites têm a participação de Nosbé, outro grafiteiro que traz influências polinésias, africanas, tribais.. graças ao tempo em que morou no Taiti.

O resultado disso tudo é esse absurdo de cores:

Quem quiser ver mais é só entrar no site do Shaka.

A incrível sensação de usar o penico

Tudo isso aqui surgiu lindamente, como um projeto bem bonitinho e que eu estava adorando. Aí eu comecei a trabalhar e passar os fds no 31 (vulgo a casa de todos nós, lugar do seriado, das insanidades e das incontáveis garrafas de chalise). Tudo isso é igual a falta de tempo para pesquisar super sobre qq coisa que eu quiser postar aqui.. e aí blog, vc ficou de escanteiooo!

Mas nada como um feriado sem amigos na cidade. Eu quero tentar usar isso aqui novamente, mas dessa vez eu só tenho uma coisa pra dizer: cagueeeeei! cagueeei, cagueeeei! Eu vou pesquisar se eu quiser, vou fazer nexo se eu quiser e vou colocar aqui o que me der na telha. É isso. Um beijo ao renascimento do Cricodécimo banhado em liberdade.

I’m from Barcelona. Sem mais.

Eu sou uma pessoa meio alienada do mundo da música. Considero esse um dos meus maiores pecados, não só na minha profissão, mas na vida. Porque, né gente?! Música É vida! hahahaha, ta…continuando. Estava eu, lendo um post sobre qualquer coisa, quando li algo mais ou menos assim “…I’m from Barcelona, uma banda indie super hypada na Europa”. Pausa. Nunca ouvi falar neles! Não, porque, do jeito que o moço do post falou, eu devo ser uma das últimas publicitárias do universo a não saber do que se trata.

Nessas ocasiões o melhor a se fazer é jogar no Google, descobrir o que é e fingir que nada aconteceu. Dessa vez não deu pra continuar agindo normalmente. O que eu ouvi me tirou da minha própria órbita. É lindo, é leve, é emocionante, é simples e é feliz. Críticos musicais, deixem eu gostar da banda do jeito que eu quiser, ok?

A primeira música que eu ouvi foi essa aqui:

Como não podia deixar de ser, eu quis mais disso! Ouvi umas 5 músicas seguidas, todas boas (ótimas, na verdade). Aí tive que saber quem eram esses caras.

A história da banda começou no verão de 2005 em Jönköping, Suécia, quando Emanuel Lundgren escreveu algumas músicas e decidiu que ele queria ter uma banda por um mês, para ocupar o tempo de suas férias de verão. Emanuel teve a idéia de gravar suas músicas com os amigos mesmo, sem exigir prática e tampouco habilidade de nenhum deles. “Eu queria apenas me divertir e conhecer pessoas, então comecei a pensar em montar um coral para cantar músicas pop”, contou o vocalista a uma reportagem realizada pelo UOL Música. Após alguns ensaios, o primeiro show aconteceu em agosto de 2005. Estava formado o grupo I’m from Barcelona, com nada menos que 29 membros.

No ano seguinte o disco “Let me Introduce my Friends” foi lançado. Emanuel era adepto de músicas melancólicas, mas dessa vez preferiu tentar descrever a sensação de estar apaixonado, sensação experimentada por ele no verão anterior. Não poderia ter dado mais certo, a crítica foi ótima e o grupo foi bem aceito logo de cara. Esse disco é lindinho! Daqueles que te fazem manter um sorriso no rosto o tempo todo, que você ouve de novo e de novo até não aguentar mais. Na minha humilde opinião, as imperdíveis são essas:



Em 2008, o grupo voltou com o disco “Who Killed Harry Houdini?”, dessa vez com músicas um pouco mais pensadas e com um tom um pouco mais melancólico. Segundo Emanuel, o primeiro disco surgiu de uma maneira muito especial, começou com algo que ele queria compartilhar com os amigos. Quando a banda se tornou “real” e I’m from Barcelona passou a ser a vida de Emanuel, ele precisou incorporar mais elementos e sons que ele gostava, trazendo um pouco de melancolia. Esse álbum é dono da primeira música que eu ouvi e dessa aqui também:

No início deste ano, a banda lançou um projeto muito legal, chamado “27 songs from Barcelona”. Nesse projeto, cada membro do grupo (agora “apenas” com 27) compôs e gravou individualmente uma música, resultando nas 27 faixas do projeto. Antes, todas as músicas eram compostas pelo próprio Emanuel Lundgren.

27 songs from Barcelona foi inspirado na banda Kiss, cujos integrantes lançaram álbuns solo homônimos simultaneamente em 1978. O lançamento proposto pelo I’m from Barcelona foi interessante também, sendo que cada uma das 27 faixas foram sendo disponibilizadas no site, uma a cada dia. No final, um vinil triplo foi lançado, mas as músicas continuaram disponíveis para download no site da banda.

Lendo sobre eles eu descobri umas coisas legais. O nome da banda surgiu do excesso de brincadeiras relacionando Emanuel com um personagem espanhol de Fawlty Towers, chamado Manuel, cujo jargão era “I’m from Barcelona”.

Emanuel Lundgren nunca ambicionou grandes músicas, a proposta era escrever canções simples, alegres, músicas pop de três acordes que crianças e avós pudessem gostar. Ele queria fazer um tipo de som que um menino de 14 anos poderia ouvir e dizer “eu posso fazer isso”.

Talvez eu tenha gostado justamente porque meu conhecimento musical deve estar alí com o conhecimento do menino de 14 anos. Mas eu sei que adorei o trabalho deles. Ouvi a discografia toda numa tacada só. Achei toda a história e toda a música cheia de personalidade e cheia de alegria. O que mais a gente quer? Estou satisfeita.

Ah, a Lomografia…

“Pare de pensar e comece a sentir”, já dizia um tal de Felipe Siqueira. Não sei de onde surgiu tal frase de efeito, só sei que funciona pra mim. Preguiçooona de fazer as coisas só porque é “certo”.  Quem é que disse que eu tenho que usar salto na balada ao invés de chinelo? Quem é que disse que eu preciso gostar mais de champagne do que de Chalise? Me diz quem é que disse, que eu tenho perceber o mundo segundo as estéticas ditadas e divulgadas pela mídia? A gente não tem, né? E sou totalmente a favor desses movimentos de libertação das amarras do convencional.

A Lomografia faz mais ou menos isso. Prega uma forma totalmente livre de fotografia, cujo objetivo passa longe de retratar o mundo com perfeição, pelo contrário, é o desprendimento do compromisso em retratar uma “realidade”, é a descoberta do instinto do olhar. É uma prática cheia de defeitos, efeitos, cores, vibrações e possibilidades.  Em 1991, dois jovens austríacos descobriram essa coisa toda ao revelarem as fotos de suas férias em Praga, fotografadas livremente por uma câmera LC-A, comprada em um antiquário ao perceberem que estavam sem suas câmeras convencionais.

O resultado das fotos foi fascinante e bastante contagioso. Logo, outros jovens buscavam esse tipo de câmera para fotografar e obter os mesmos efeitos. Foi criada então a Sociedade Lomográfica, expandindo esse novo movimento para outras áreas do planeta. Mas o que é que essa câmera tem que as outras não têm? Bom, a LC-A surgiu em plena Guerra Fria, em 1982. Na URSS, o General Petrowitsch Kornitzky pediu que a empresa LOMO produzisse maciçamente máquinas fotográficas, pequenas, baratas e fáceis de usar, assim todas as famílias poderiam documentar e mostrar para todos a felicidade que era viver nesse sistema “democrático”. A mágica da câmera está em características como a lente de plástico Minitar, que adiciona brilho às cores e proporciona vários efeitos.

A Sociedade Lomográfica Internacional, com a ajuda da internet, passou a pulverizar ainda mais esta nova “técnica”, sob o slogan “Não pense, apenas fotografe”. Também foi responsável pelo advento das 10 regras da lomografia. Elas são o coração desse movimento e servem justamente para livrar as pessoas de todas as outras regras e idéias pré-concebidas sobre fotografia. A idéia é se libertar e se divertir fotografando, sem inibições. As regras são essas:

1 – Leve sua Lomo sempre com você.
2 – Use quando quiser – dia ou noite.
3 – A Lomografia não interfere na sua vida, faz parte dela.
4 – Fotografe sem olha no visor.
5 – Aproxime-se o máximo possível do objeto lomográfico desejado.
6 – Não pense.
7 – Seja rápido.
8 – Você não precisa saber antecipadamente o que fotografou.
9 – Nem depois.
10 – Não se preocupe com as regras.

Como não podia deixar de ser, hoje esse movimento possui incontáveis membros, abrangendo pessoas comuns, sem noção de técnica de fotografia, até famosos artistas e fotógrafos. A Sociedade Lomográfica também é responsável por promover exposições, festas, passeios e workshops, afirmando ainda mais a lomografia como um criativo movimento cultural.

LomoWall

Recentemente vi uma exposição de fotos tiradas por deficientes visuais. Impressionantemente, as imagens tinham um conteúdo muito interessante. Elas eram muito mais carregadas de sentimentos do que de estética, e era isso que as tornava realmente interessantes, belas e bastante especiais, assim como as fotos lomográficas. Fiquei pensando se a Sociedade Lomográfica não poderia ir ainda mais além e fazer um trabalho social, com exposições baseadas em fotografias tiradas por cegos, afinal, eles traduzem algumas das principais idéias da Lomografia. É a fotografia tirada sem olhar, sem pensar, sem saber antecipadamente o que vai ser retratado e nem posteriormente, sem regras, que quebra os paradigmas da fotografia e ainda prega o instinto do olhar e um compromisso maior com a sensação do que com a “realidade”.

Foto tirada por Evgen Bavcar para a exposição Sight Unseen, com fotografias tiradas por cegos.

Joguei a idéia! Mas realizando ou não algo do tipo, a lomografia tem todo o meu respeito e admiração! Logo menos passo a fotografar com alguma dessas câmeras sensacionais.

Para quem quiser saber mais, é só jogar no Google. Tem milhões de sites e comunidades focados na lomografia. Alguns são esses:

http://www.lomography.com.br/

http://www.flickr.com/photos/lomographicsocietyinternational

http://www.facebook.com/Lomography

Pedra Grande

Sábado de sol, muita vontade de sair do circuito “baladas sp” e entrar num esquema mais natureba. Sempre se tem a opção de ir num parque no meio da cidade, sentar no banquinho, fazer um cooper e abraçar uma árvore com o pé na grama…tudo muito legalzinho mas a gente queria tudo isso na versão power, sem sair de São Paulo.

A gente foi pro Parque Estadual da Serra da Cantareira! O lugar tem 7.916,52 hectares, tipo 8000 campos de futebol de pura mata atlântica. O parque tem quatro núcleos de visitação, sendo que um deles (Cabuçu) ainda não foi aberto ao público: Pedra Grande, Engordador, Águas Claras e Cabuçu. A gente escolheu o núcleo da Pedra Grande, mas já conto, antes um pouco de cultura.

Durante os séculos XVI e XVII os tropeiros que faziam comércio entre São Paulo e outras regiões, como Minas Gerais e Goiás, passavam pela região carregando cântaros, que eram jarros que serviam para armazenar água, os quais eram colocados em prateleiras chamadas de “cantareiras”, daí o nome de Serra da Cantareira.

Hoje o parque contém o que se considera a maior floresta nativa em área urbana do mundo. O local é ótimo para fazer trilhas, relaxar, tomar banho de cachoeira, ver animais nativos e ter vistas maravilhosas da capital.

Bom, como disse, nós escolhemos o núcleo da Pedra Grande, principalmente porque não sabíamos da existência de nenhum outro. Este local é o mais conhecido por fornecer uma das vistas mais fantásticas que se pode ter da cidade de São Paulo. O que ninguém sabe é que o núcleo possui cerca de 12 km de trilhas com subidas que proporcionam um suadouro considerável, banheiros, bicas de água potável e que tudo isso fica a 15 minutos do metrô Santana. As trilhas são:

  • Trilha da Bica

Trilha de nível fácil com 1,5 km de extensão, boa parte dela é plana e passa por uma bica de água potável.

  • Trilha do Bugio

600 metros de trilha circular, na qual você pode avistar macacos bugio, que chegam a ter 1,20 m de altura e possuem uma pelagem entre o castanho escuro e o vermelho. A espécie é conhecida pelo seu grito alto e corre sério risco de extinção.

  • Lago das Carpas

Trilha “asfaltada” que leva a um lindo lago de carpas. O local é cercado pela mata e compõe uma paisagem das que você imagina na pintura de um quadro. Também há um pequeno playground, banheiro, bancos com mesa e equipamentos para exercício.

  • Trilha do Meio ou Trilha do Balão

Pequena trilha de 500 metros bastante preservada, na qual é possível avistar macacos bugio e outros animais. É de difícil localização.

  • Trilha da Bica do seu Toninho

Trilha de 1 km que desce até uma bica de água. O nome homenageia seu Antônio Cassalho, ou seu Toninho, guarda florestal há mais de 50 anos.

  • Trilha das Figueiras

Trilha de 1,2 km cujo percurso varia de suave a íngreme. Como é de se imaginar, pela trilha há uma boa quantidade de figueiras e é possível ver animais se alimentando. Também há grandes blocos de granito que podem ser vistos pela mata.

  • Mirante da Pedra Grande

A “trilha” até o local é a principal do parque. É asfaltada e suficientemente larga para passar carros (apenas os da direção do parque). Apesar de ser de circulação fácil, a subida cansa bastante (ou o problema pode ser a minha falta de exercícios regulares), mas ao final dela, há uma enorme rocha de granito, cuja altura de 1.010 m proporcionam a vista tão procurada da cidade de São Paulo. Aí você esquece do sofrimento pra chegar lá e gasta uns minutos bem especiais sentado na pedra, observando tudo aquilo. Reza a lenda de que alí também há um pequeno centro de visitantes com alguns animais taxidermizados (vulgo empalhados), mostras de rochas e madeiras de lei, além de uma maquete do parque. Eu não vi, mas também não procurei.


Sobre os outros núcleos eu escrevo quando visitá-los. Só vou aproveitar pra contar de um senhorzinho muito fôfo que encontramos no parque. Ele veio nos contar que no dia anterior havia chovido e que, como naquele dia estava muito quente, o mato ficava úmido e aquecido, fazendo com que as cobras procurassem locais mais abertos como as beiradas das trilhas para se refrescar. Ele também disse que o segredo era não pisar nelas e contou que se a gente andasse em fila nas trilhas, elas tendiam a pegar as pernas da segunda pessoa que passasse por ela, nunca a primeira (fica a dica, galera). Mas o mais interessante nem é essa super curiosidade ofidiana, mas sim o senhorzinho. Só hoje eu descobri que ele é tipo uma celebridade e a gente nem pediu autógrafo e nem tirou fotos (uma das metas da próxima visita).

O senhorzinho era o seu Toninho (o da trilha). Ele é o último guarda florestal do parque, sendo que seu pai e seu avô exerceram a mesma profissão; hoje o parque é guardado pela polícia florestal. Com mais de 50 anos de profissão, seu Toninho conhece o parque como a palma de sua mão, conhece os rastros, os cheiros, os bichos e as plantas, as quais ele usa como remédios também, já que decidiu que nunca mais iria ao médico há mais de 40 anos. Apesar de já ter mais de 70 anos, esse senhorzinho muito do simpático não quer parar de proteger essa mata que ele tanto ama. Ele diz que, quando não aguentar mais andar pelo parque, quer morrer naquele paraíso ouvindo o canto dos pássaros.

Eu recomendo esse passeio fortemente. Apesar da minha entomofobia (ou fobia de insetos) e do suor, o Núcleo da Pedra Grande entrou para a lista de lugares mais especiais que eu já fui. Talvez pela proximidade da cidade, talvez pela oportunidade de ter contato com a natureza sem a necessidade de se embrenhar em matas mais fechadas, ou talvez pela companhia maravilhosa dos amigos e pela presença tão gostosa do seu Toninho.

Pessoas, conheçam! Tenho certeza absoluta de que não faltarão motivos para ser um passeio realmente feliz.

Misticismo salino, quem curte?

De uns tempos pra cá, as mandingas têm feito parte das conversas corriqueiras dos meus círculos sociais. É que são muitos problemas, os quais só podem ser resolvidos com superstições. Como é que você vai arranjar emprego, namorado, tirar as pessoas loucas da sua vida e ainda se proteger de mau-olhado com métodos pouco confiáveis como auto-análise e mudança de comportamento?

Não dá, galera. O que pega é sal grosso.

O mais interessante era o fato de que pessoas de diversas idades e crendices me falavam do tal do sal. Dei uma pesquisada pra saber quais eram as raízes dos poderes místicos do sal e, tchanâ! Não descobri as raízes (aparentemente é um consenso geral de que o sal faz milagres por você), mas descobri umas coisas que achei interessantes.

Há milênios o sal fascina o homem por diversos motivos. Além de ser usado como condimento e conservante, devido ao seu grande valor, fez parte da remuneração dos soldados de César, originando a palavra salário, do latim salarium. O sal também esteve presente em rituais religiosos de diversas épocas e civilizações, como os gregos, romanos, asiáticos e árabes. Em várias culturas, o sal apresenta o poder de afastar espíritos densos e as energias negativas, por isso os gregos, por exemplo, colocavam-no em suas oferendas religiosas, enquanto os romanos davam uma pitada de sal ao recém-nascido para que brotasse sabedoria.

Maomé recomenda aos árabes para “começar pelo sal e terminar com o sal; porque o sal cura numerosos males”. Ela também simboliza a incorruptibilidade, pois é a marca da eternidade e da pureza, já que não apodrece ou se corrompe. Acredita-se que, por isso, o sal começou a ser usado em rituais de exorcismos pela igreja católica, já que o mal procura a corrupção e dissolução das criaturas, impossíveis de se obter através do sal. Também simboliza a lealdade, pois na bíblia, o termo “aliança de sal” significa uma relação com Deus que não pode ser rompida. Para os judeus esta ligação eterna é entre Deus e seu povo de Israel e, na sexta-feira a noite, os seguidores do Judaísmo molham o pão do sabá em sal. O Antigo Testamento menciona o sal com frequência, tanto literalmente quanto simbolicamente, mas levando a significados como pureza e fidelidade.

O sal na mesa costumava significar prestígio, orgulho, segurança e amizade. Sua ausência ou o sal derramado era sinal de mal presságio, tanto é que Leonardo da Vinci colocou um saleiro derramando na frente de Judas em seu famoso quadro “A Última Ceia”.

O sal também esteve presente nos batismos protestantes e católicos. O primeiro foi proibido no século XVI por Lutero, enquanto o segundo resistiu até 1973, simbolizando a longevidade e a vida eterna.

Antigos povos acreditavam em seus poderes afrodisíacos e achavam que a falta do sal reduziria a potência sexual dos homens. Além disso, havia uma correlação com a fertilidade, sendo que os pirineus incentivavam os noivos a irem para a igreja com sal no bolso esquerdo.

No Candomblé e na Umbanda o sal grosso é usado para banhos de descarga, como forma de purificação da aura humana e proteção contra o mau-olhado. Os costumes exotéricos também pregam este uso do sal grosso, fazendo com que esta superstição seja uma das mais comuns nos dias de hoje. O sal grosso não serve apenas para purificar o corpo, mas também o ambiente, sendo que recipientes com sal e talvez cabeças de alho são bastante comuns em casas e escritórios brasileiros. A explicação é que, por se tratar de um cristal, o sal emite ondas eletromagnéticas que podem ser medidas pela radiestesia, estas ondas possuem o mesmo comprimento das ondas da cor violeta, capazes de neutralizar campos eletromagnéticos negativos.

A seguir temos mais algumas crenças e dicas em torno do sal:

  • O saleiro passado de mão em mão a outra pessoa da mesa traz má sorte. No Brasil, recomenda-se que ele não seja levantado da superfície da mesa. Nos Estados Unidos, existe o ditado “passe-me sal, passe-me sofrimento”;
  • jogar sal afugenta os vampiros (quiçá Crepúsculo, Lua Nova, Vampire Diaries..acho válida a tentativa);
  • usar um sachê de sal pendurado no pescoço afasta os maus espíritos;
  • derrubar sal traz má sorte, a menos que se jogue uma pitada por cima do ombro direito;
  • para afastar maus espíritos, joga-se sal por cima do ombro esquerdo;
  • emprestar ou pedir emprestado sal ou pimenta destrói a amizade. É melhor oferecê-los e aceitá-los como um presente;
  • no Havaí, a pessoa que volta de um funeral polvilha sal sobre si mesma, para garantir que maus espíritos que rondassem o defunto não a acompanhem em casa;
  • uma pitada de sal sobre os ombros afasta a inveja;
  • para espantar o mau-olhado ou evitar visitas indesejáveis, caboclos e caipiras costumam colocar uma fileira de sal na soleira da porta ou um copo de salmoura do lado esquerdo da entrada;
  • a mistura de sal com água ou álcool absorve tudo de ruim que está no ar, ajuda a purificar e impede que a inveja, o mau-olhado e outros sentimentos inferiores entrem na casa. Depois de uma festa, lavar todos os copos e pratos com sal grosso para neutralizar a energia dos convidados, purificando a louça para o uso diário;
  • na tradição africana, quando alguém se muda, as primeiras coisas a entrar na casa são: um copo de água e outro com sal. Usam sal marinho seco, num pires branco atrás da porta para puxar a energia negativa de quem entra. Também tomam banho com água salgada com ervas para renovar a energia interna e a vontade de viver;
  • no Japão, o sal é considerado um poderoso cristal para purificar. Os japoneses mais tradicionais jogam sal todos os dias na soleira das portas e sempre que uma visita mal vinda vai embora. Símbolo de lealdade na luta de sumô. Os campeões jogam sal no ringue para que a luta transcorra com lealdade. Também espalha-se sal no palco antes da apresentação para evitar que maus espíritos joguem pragas sobre os atores

E a dica mais importante de todas:

  • Relatos de abduzidos dizem que a pele dos ETs são semelhantes às da largatixa e, na pele desses animais, o sal age como um agente corrosivo. Então, caso você queira manter os aliens longe, cerque a cama de sal.

Acaba que eu me rendi às teorias salinas e tentei colocar sal grosso nos cantos do meu quarto, coloquei um pote de sal com alho do lado da cabeceira da minha cama e ainda tomei um banho purificador. É agora que tudo vai dar certo na minha vida, gente! AÊ!

Se der certo, eu faço outro post só pra contar do sal milagreiro!

Tatuagem Maori – Ta Moko

A Nova Zelândia é o lugar mais legal do mundo, não tem o que discutir. Eles têm um orgulho enorme da própria cultura e, aonde quer que você vá, você percebe a presença Maori à sua volta. Além do rugby (esporte mais legal do mundo), e dos homens (os maiores do mundo), o país traz consigo outra coisa fantástica, a arte da tatuagem Maori.

Bom, pra quem não sabe, a palavra “tattoo” vem da palavra taitinana “tatau”, que traduzia o som produzido pelos instrumentos de tatuagem. O capitão James Cook (explorador inglês) usou a palavra “tattow” ao observar esta arte pela primeira vez no Taiti, em 1769.

Foi na Polinésia que a técnica surgiu e teria sido levada para a Nova Zelândia através das aventuras marítimas realizadas pelo povo Maori. De acordo com sua mitologia, a tatuagem teve início com um romance entre um homem chamado Mataora e uma jovem princesa de um mundo místico, chamada Niwareka. Um dia, entretanto, Mataroa bate em Niwareka e ela volta para a proteção de seu pai, Uetonga. Mataroa, se sentindo muito culpado e com o coração partido, vai atrás de Niwareka. Os dois voltam a se reconciliar e Uetonga se oferece para ensinar a arte da tatuagem (Moko) para Mataora. O casal volta para o mundo humano e traz consigo esta nova arte.

O Moko, que é a tatuagem Maori tradicional, traz uma simbologia associada à posição que o indivíduo ocupa na sociedade. Todos os homens que tivessem uma posição elevada eram tatuados, enquanto que os que não eram marcados, eram considerados sem status social. O Moko funcionava como uma identidade, já que também falava sobre a família e sobre a tribo a que os tatuados pertenciam; ao representar a posição social, o Moko denunciava inclusive se tratava-se de uma posição pura, herdada pelo sangue, ou se a posição havia sido ganha através de suas ações.

A marcação do corpo começava na puberdade, acompanhada de outros rituais. A tatuagem servia para que os guerreiros ficassem atraentes para as mulheres e marcava os importantes eventos na vida de uma pessoa. Havia certas proibições durante o processo de tatuar. Para a tatuagem facial, por exemplo, atividades sexuais e ingestão de sólidos eram proibidas. Os tatuados só podiam ingerir líquidos através de canudos, até a cicatrização total da pele, evitando que houvesse alguma contaminação.

A tatuagem facial completa consumia muito tempo, e um bom tatuador deveria estudar com cuidado a estrutura óssea da pessoa, antes de começar sua arte. Por esses motivos, um rosto elegantemente tatuado era uma fonte de orgulho e, para os guerreiros, era como uma proteção para vencer as batalhas.

O instrumento para tatuar era um cinzel de osso, que era mergulhado em um pigmento e em seguida era batido com um pequeno bastão. Para obter as cicatrizes e os sulcos que  caracterizam o Moko, o instrumento deveria penetrar profundamente no tecido muscular, alguns cortes eram tão profundos que chegavam a atravessar a bochecha. Era um processo muito longo e extremamente dolorido, mas era uma questão de honra e orgulho os guerreiros Maori não se mexerem e manterem-se calados enquanto eram tatuados.

As mulheres não eram tão tatuadas quanto os homens. Os lábios superiores eram contornados e a tatuagem no queixo era a mais popular, sendo que a prática continuou até os anos 70.

Ler as marcas é bastante difícil. O significado de um símbolo Moko pode ser diferente entre as tribos, por isso a compreensão das marcas é complicada. Os Maoris dizem que, para se ler um Moko, é preciso olhar holisticamente, é preciso olhar além do que está lá e perceber também o que está faltando. Infelizmente, hoje em dia restam muito poucos com essa capacidade.

Por se tratar de um tipo de tatuagem muito característico, e que carrega grandes características culturais desde os primórdios dessa arte, muitos Pakeha (brancos) se interessam em ter esse tipo de marca no corpo. Os Maori não aprovam a atitude já que, como visto, se trata de uma simbologia que conta uma história sobre o tatuado, sobre sua família, sobre sua tribo e sobre seu legado na Terra. Apesar dos Maori não concordarem com essa “apropriação” de sua cultura, a partir dos anos 90, a prática do Moko ganhou mais força entre homens e mulheres, não apenas em relação aos desenhos, mas à tatuagem feita com cinzel, à moda antiga.

Hoje as tatuagens são feitas em qualquer parte do corpo e se parecem com tribais, se diferenciando por terem significados em suas formas. Hoje esses símbolos representam coisas mais genéricas, deixando o Moko como “indentidade” de lado e trazendo a tatuagem Maori como uma forma de expressar sentimentos e desejos como felicidade, amor, família, renascimento.

Um dos símbolos mais comuns nas tatuagens Maori é o Koru. Ele carrega um forte simbolismo, representa a criação, uma nova vida ou um novo começo, crescimento, harmonia e pureza. As formas circulares do Koru nos levam à idéia do movimento perpétuo, enquanto as espirais interiores sugerem o retorno ao ponto de origem, representando o modo como a vida se altera e, ao mesmo tempo, continua igual.

Existem alguns vídeos muito bons sobre o Moko pela internet. Como a técnica tradicional é um pouco forte para ser vista por todos, aqui vai um vídeo que mostra um pouquinho dessa arte lindíssima.

Quando voltei da Nova Zelândia, trouxe comigo um colar com o símbolo do Koru e uma tatuagem Maori linda, com significados fantásticos. A tatuagem ainda está no papel, quem sabe eu não volto para aquela terra pra ser tatuada pelas próprias mãos maoris? Meu sonho.